Viagem com os pais idosos: o checklist que pode evitar uma queda nas férias
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Antes de fechar a reserva, especialistas recomendam verificar seis pontos do hotel e do roteiro que raramente aparecem nas fotos de divulgação, mas que decidem se a viagem termina bem

Ortopedista alerta: risco de queda em viagem não tem a ver com idade, e sim com ambiente despreparado

Quem já viajou com um pai, uma mãe ou um avô acima dos 60 anos conhece a cena: a mala organizada, o roteiro pronto, a expectativa alta e, no meio do caminho, um detalhe que ninguém previu vira problema. Um degrau alto demais. Um chão molhado sem aviso. Uma caminhada que parecia curta no mapa e se mostrou longa demais no calor do meio-dia.

Segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV), 79% das pessoas acima de 50 anos consideram viajar uma prioridade, e esse público já responde por cerca de 15% dos pacotes turísticos vendidos no país. Uma pesquisa da consultoria YouGov mostra que 52,6% dos brasileiros com mais de 60 anos têm grande interesse em viagens, índice acima da média nacional. O apetite existe. O que falta, na maioria dos casos, é planejamento voltado para essa fase da vida e é aí que mora o risco.

Para o ortopedista Dr. Lafayette Lage, especialista em cirurgia de quadril e joelho, o principal mal-entendido é achar que o cuidado com o idoso em viagem se resume à cadeira de rodas. “Quando falamos de turismo para a terceira idade, não estamos falando apenas de acessibilidade para cadeirantes. Estamos falando de mobilidade, equilíbrio, dor articular, risco de queda e autonomia. Um hotel pode ser bonito, mas se não for seguro para o idoso, ele não está preparado”, afirma.

O médico reforça que isso não significa desencorajar a viagem pelo contrário. “Há idosos ativos, independentes e muito dispostos a viajar. Mas isso não elimina a necessidade de cuidado. Pelo contrário: preservar essa independência exige ambientes preparados para reduzir riscos”, explica.

Foto: Divulgação

O checklist antes de reservar

Com base nas recomendações do especialista, seis pontos merecem atenção antes de confirmar hospedagem e passeios:

  1. Pergunte pelo quarto, não só pela categoria. Banheiro com barra de apoio, piso antiderrapante e boa iluminação fazem mais diferença do que vista para o mar.
  2. Evite reservar só pelo aplicativo. Ligue para o hotel e pergunte diretamente sobre corrimãos em escadas, funcionamento do elevador e distância entre o quarto e as áreas comuns.
  3. Peça o nível de esforço de cada passeio. Duração, distância e tipo de terreno deveriam constar na descrição — muitas vezes só aparecem se você perguntar.
  4. Desconfie de cardápios só em QR code. Letra pequena na tela do celular é um obstáculo real para quem tem dificuldade de leitura de perto.
  5. Inclua pausas no roteiro, não apenas atrações. Um passeio “cheio” nem sempre é um passeio bom.
  6. Verifique o transporte, não só o destino. Vans e ônibus sem degrau de acesso adequado costumam ser o primeiro ponto de risco do dia.

Um risco maior do que parece

A Organização Mundial da Saúde estima em 37,3 milhões o número de quedas anuais graves o suficiente para exigir atendimento médico, e aponta que pessoas acima de 60 anos registram os maiores índices de quedas fatais do mundo. Fora de casa, em ambiente desconhecido, esse risco tende a aumentar — o que torna o checklist acima menos sobre conforto e mais sobre prevenção.

O movimento não passou despercebido pelo poder público nem pela iniciativa privada. O Ministério do Turismo publicou a cartilha “Dicas para Atender Bem Turistas Idosos”, voltada a hotéis, guias e operadoras. No Paraná, o programa Viaja 60+ reúne secretarias estaduais e municipais para ampliar o acesso da população idosa ao turismo regional. E hotéis independentes, como o Morro dos Anjos Resort, no norte do estado, já relatam grupos de idosos recebidos por meio de programas de turismo sênior — sinal de que a demanda está se organizando mais rápido do que a oferta.

A palavra final é sobre autonomia

Para Lage, o objetivo desse cuidado não é limitar a viagem, e sim garantir que ela aconteça com segurança. “O objetivo não é limitar o idoso. É permitir que ele viaje melhor, com menos medo, menos dor e mais independência. Turismo seguro também é saúde”, conclui.

Sobre o Dr. Lafayette Lage

Médico ortopedista com mais de 40 anos de experiência, especialista em cirurgia do quadril e do joelho. Pioneiro da artroscopia do quadril no Brasil introduziu a técnica no país em 1993 —, tornou-se referência em cirurgia preservadora do quadril, próteses de alta performance e medicina esportiva. Formado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), é mestre em Ortopedia pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP (IOT-HCFMUSP) e especialista em Medicina Desportiva pela UNIFESP. Está à frente da Clínica Lage – Medicina de Ponta, em São Paulo, onde se dedica a patologias ortopédicas de alta complexidade, aliando inovação, excelência técnica e atendimento individualizado.

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