Brasil registrou 105 mil denúncias de violência contra a mulher em 2020

Governo lançou neste domingo, campanha em parceria com Conselho Nacional de Justiça

Na véspera do Dia da Mulher, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos anunciou neste domingo (7), que o governo recebeu 105.671 denúncias de violência contra a mulher em 2020.  As mulheres declaradas de cor parda de 35 a 39 anos tem o maior número de denúncias afirmou o governo.

Com a participação da ministra Damares Alves e do ouvidor nacional de direitos humanos, Fernando Ferreira, a coletiva apresentou dados que foram registrados nas plataformas do Ligue 180 e o Disque 100.

Fernando Ferreira, declarou serem feitas cerca de 100 mil atendimentos pelos canais de atendimento do país, por dia. O mesmo, explicou que a nova reformulação na ouvidoria de dados tem o objetivo de aprimorar o sistema.

Ministra Damares Alves e o Ouvidor nacional de direitos humanos Fernando Ferreira / Reprodução : imagens Google

“Nós acreditamos que não é hora de fazer política pública em cima de achismo”, afirmou Damares.   

A ministra foi questionada sobre o aborto na coletiva e negou a ação do governo de mudar regras que pode garantir a mulher o direito de aborto em caso de estrupo. 

Números de denúncias em 2020

O painel de dados sobre Direitos Humanos tem um banco de dados que detalha a categoria de violações registradas. A violência doméstica e familiar contra a mulher registrou 75.753 denúncias, no ano passado. As principais violações são agressão, constrangimento, tortura psíquica e coação.

Com a nova mudança na metodologia que agrega  as centrais de atendimento gratuitas Disque 100 e o Ligue 180 que recebem, respectivamente violação de direitos humanos e violência contra a mulher, impede a comparação com os anos anteriores.

Segundo o ministério, essa mudança permitiu que mais de uma denúncia fosse registrada com o mesmo protocolo que envolve mais de um crime, como violação dos direitos humanos, agressão psicóloga e matrimonial em um mesmo caso.

Combate à violência

O governo lançou a campanha de combate à violência contra mulher em parceria com o CNJ, em todo o país. Para Damares Alves, a pandemia de Covid-19 foi um dos fatores que provocou o aumento da violência doméstica no Brasil.  

Os canais de atendimento recebem denúncia de diversos grupos, como idosos, crianças e adolescentes, população LGBTQ+ e pessoas com deficiência. 

 “Nós, infelizmente, tivemos de deixar dentro de casa agressor e vítima”, declarou Damares. 

A ministra afirmou que com o aumento de denúncias, o governo ampliou os canais de atendimento além das plataformas, Disque 100 e Ligue 180, que já existiam, oferecendo contato por um  aplicativo próprio “Direitos Humanos Brasil”.     


Para Damares, não há muito o que comemorar no Dia Internacional da Mulher e afirma que o momento é de reflexão. 

Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos / reprodução : imagens Google

“Amanhã, nós não temos muito o que celebrar não. Amanhã é um dia de reflexão para nós, especialmente nesse momento de pandemia. Quantas mulheres nós perdemos para a  Covid?”, declarou.


O juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça Rodrigo Capez, afirma que existe a esperança desesperada de se manter a unidade família, de salvar um relacionamento pelos filhos. Para ele, cabe o poder público auxiliar a vítima a compreender o ciclo de violência.   

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