Jejum Intermitente ajuda na rotina alimentar equilibrada
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Estratégia limita os horários das refeições e pode favorecer a perda de peso, porém seus resultados dependem da alimentação, da atividade física e de acompanhamento profissional

 

O jejum intermitente limita os horários das refeições e pode reduzir o consumo de calorias, favorecendo a perda de gordura corporal. Estudos indicam, porém, que a estratégia não é necessariamente superior às dietas convencionais no curto prazo. Quando integrada a uma abordagem multidisciplinar, com mudanças no estilo de vida e acompanhamento profissional, pode contribuir para resultados mais consistentes e duradouros.

O jejum intermitente estabelece períodos destinados à alimentação e outros nos quais não são consumidos alimentos ou bebidas calóricas. Uma das modalidades mais populares é a 16:8, com as refeições concentradas em uma janela de oito horas e jejum nas 16 horas restantes. Outra opção é a 5:2, caracterizada pela alimentação habitual em cinco dias da semana e por forte restrição calórica nos outros dois.

“Adoto como estilo de vida a estratégia 16:8 e, em um dia da semana, faço apenas uma refeição, mantendo um intervalo de 24 horas”, relata o empresário Rubens Souza.

O método pode ajudar no emagrecimento porque reduz as oportunidades de comer. Com menos refeições e lanches, muitas pessoas acabam ingerindo menos calorias. Entretanto, se houver compensação durante a janela alimentar, com porções maiores ou alimentos muito calóricos, a perda de peso pode não ocorrer.

“O que a pessoa consome durante a janela alimentar é determinante para a perda de gordura corporal. A prioridade deve ser uma alimentação equilibrada, com proteínas, fibras, gorduras de boa qualidade e carboidratos adequados às necessidades individuais”, afirma Rubens.

Não há, entretanto, comprovação de que consumir apenas alimentos de baixo índice glicêmico ou reduzir drasticamente os carboidratos mantenha uma “queima contínua de gordura”. A perda de peso depende do conjunto da alimentação, do consumo energético, da atividade física e de fatores metabólicos individuais.

“A prioridade deve ser uma alimentação equilibrada, com proteínas, fibras, gorduras de boa qualidade e carboidratos adequados às necessidades individuais”, ensina Rubens Souza

O que mostram os estudos

Um ensaio clínico realizado com 75 pessoas com obesidade e diabetes tipo 2 estabeleceu uma janela alimentar entre o meio-dia e as 20 horas. Depois de seis meses, os participantes perderam, em média, 3,6% do peso corporal, em comparação com 1,8% no grupo submetido à restrição calórica convencional. O estudo foi publicado na revista JAMA Network Open, mas os próprios autores ressaltaram a necessidade de pesquisas maiores e de maior duração.

Outro estudo, realizado com 116 adultos com sobrepeso ou obesidade, apresentou resultado menos expressivo. Após 12 semanas, o grupo que seguiu o protocolo 16:8 perdeu aproximadamente 0,94 quilo, sem diferença significativa em relação ao grupo que manteve três refeições diárias. O trabalho foi publicado na JAMA Internal Medicine.

Os resultados indicam que o jejum intermitente pode funcionar, mas não representa uma solução milagrosa. Seu possível benefício está principalmente na organização da rotina alimentar e na eventual redução do consumo total de calorias. A diminuição da ingestão de açúcares, frituras e alimentos ultraprocessados também pode contribuir para uma alimentação mais saudável, independentemente da adoção do jejum.

Famosos relatam resultados

O ator Jesse Plemons afirmou ao Los Angeles Times que experimentou o jejum intermitente e ficou surpreso com a rapidez dos resultados. Ele não informou, contudo, quanto peso teria perdido exclusivamente por causa do método.

O chef e apresentador Guy Fieri perdeu cerca de 13,6 quilos ao longo de quatro anos. O jejum entre as 20 horas e o meio-dia fez parte do processo, juntamente com a redução das porções, o menor consumo de álcool e a prática de exercícios intensos, segundo reportagem da ABC News.

Jimmy Kimmel também atribuiu parte de sua perda de peso ao método 5:2. Jennifer Aniston declarou seguir o protocolo 16:8, enquanto Hugh Jackman utilizou a estratégia para controlar o ganho de gordura durante a preparação física para interpretar Wolverine. Esses casos são relatos pessoais e não comprovam que o jejum, isoladamente, tenha produzido os resultados.

O empresário Rubens Souza relata ter perdido 52 quilos seguindo uma janela alimentar de oito horas e jejuando nas 16 horas restantes. Ele ressalta, porém, que o jejum intermitente fez parte de uma estratégia multidisciplinar e que, isoladamente, não garante resultados contínuos no longo prazo.

“O acompanhamento de profissionais habilitados e a mudança do estilo de vida, associados ao jejum, foram fundamentais para o resultado”, afirma Rubens.

Rubens Souza relata ter perdido 52 quilos seguindo uma janela alimentar de oito horas e jejuando nas 16 horas restantes

Cuidados necessários

O jejum pode causar fome, irritabilidade, dor de cabeça, tontura e dificuldade de concentração. Pessoas com histórico de transtornos alimentares, gestantes e mulheres que amamentam não devem adotar o método sem avaliação profissional.

Quem tem diabetes ou utiliza medicamentos para controlar a glicose também precisa de acompanhamento médico, pois o jejum pode aumentar o risco de hipoglicemia. Existe ainda preocupação com a perda de massa muscular, especialmente entre pessoas idosas ou que não consomem proteínas em quantidade suficiente.

A conclusão é que o jejum intermitente pode ser útil para algumas pessoas, desde que seja sustentável, adequado às condições individuais e acompanhado por uma alimentação equilibrada. O resultado depende menos do relógio, isoladamente, e mais da quantidade e da qualidade dos alimentos consumidos, do nível de atividade física e da manutenção dos hábitos no longo prazo.

Mais informações: https://www.instagram.com/rubensjcsouza/

 

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