Apesar da dificuldade de acesso, Monte Sinai é a atração mais importante do Egito, além das pirâmides e do Grande Museu
Sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos, o monte exige quase 5 horas de caminhada, mas segue sendo o roteiro mais buscado por quem viaja em busca de fé
É meia-noite quando o grupo de brasileiros se reúne aos pés do Monte Sinai. Chegaram até ali depois de dez horas de estrada desde o Cairo, atravessando o deserto do Sinai e o Canal de Suez, mas o cansaço da viagem já foi substituído por outra coisa: a expectativa. O guia local confere os últimos detalhes, distribui lanternas, e o grupo começa a subir.
São cinco quilômetros de trilha e 785 degraus de uma escadaria irregular de pedra, esculpida ao longo de séculos por peregrinos que vieram antes. A subida, no escuro, é lenta e silenciosa, quebrada apenas pela respiração ofegante e pelo som dos passos sobre a rocha. Ninguém fala muito. Chegam ao topo poucos minutos antes do nascer do sol.
É ali, segundo a tradição, que Moisés recebeu as tábuas com os Dez Mandamentos. Quando a primeira luz do dia surge sobre o deserto, muitos ficam em silêncio, alguns choram, outros abrem a Bíblia para ler o livro de Êxodo. É um momento de reflexão que se repete a cada madrugada, com grupos diferentes, mas com a mesma emoção. As câmeras disparam, tentando registrar algo que nenhuma foto consegue realmente capturar.
O Egito, em 2026, vive um momento raro. Depois da inauguração do Grande Museu Egípcio, em novembro de 2025, o país voltou ao centro do mapa mundial do turismo. Foram mais de duas décadas de obras e um investimento que ultrapassou US$ 1 bilhão para erguer 500 mil metros quadrados de área construída, onde estão expostos mais de cem mil artefatos, entre eles o tesouro completo de Tutancâmon, tornando-o o maior museu arqueológico do mundo dedicado a uma única civilização, quase sete vezes maior que o Louvre em área de exposição. As pirâmides de Gizé, a Esfinge que as vigia há milênios, o cruzeiro que sobe o Nilo de Aswan a Luxor, o litoral azul-turquesa de Sharm El Sheikh no Mar Vermelho: tudo isso segue lá, imutável, disputando a atenção de quem chega.
E, no entanto, para uma parte específica desses visitantes, nada disso é o ponto alto da viagem.
“O Egito tem pirâmides, tem o novo museu, tem o Nilo. Mas para o nosso público, o Monte Sinai é a atração mais importante do país”, diz Ricardo Saito, diretor da Viagens Bíblicas, empresa especializada em viagens à Terra Santa, ao Egito e a Israel, com roteiros dirigidos ao público cristão.
O problema é justamente chegar.
Chegar até ali, como o grupo daquela madrugada bem sabe, significa enfrentar um percurso que poucos turistas, e poucas agências, estão dispostos a encarar. As dez horas de estrada desde o Cairo, a travessia do deserto do Sinai e do Canal de Suez, e a sucessão de postos de controle militar, presença constante em uma região historicamente sensível, impõem o ritmo lento e cauteloso de quem atravessa uma fronteira que nunca deixou de ser estratégica.
É por isso que o Monte Sinai quase não aparece nos roteiros convencionais. A logística é cara, é longa, e exige uma agência disposta a lidar com a burocracia de checkpoints e a imprevisibilidade de um deserto que não perdoa erros de planejamento. “Não é um destino que você inclui num pacote por impulso. É um destino que exige experiência, contatos locais e conhecimento profundo da região”, explica Saito. A Viagens Bíblicas, uma das empresas tradicionais pioneiras em viagens à Terra Santa, ao Egito e a Israel, transformou essa dificuldade em identidade: onde outras agências param, a empresa continua. A operadora chegou a criar um site dedicado exclusivamente a informações sobre o destino, o www.viagemaoegito.com.br, reunindo desde roteiros até detalhes práticos sobre a travessia até o Monte Sinai.
“As pirâmides impressionam pela grandiosidade. O Grande Museu impressiona pela história que preserva. Mas o Monte Sinai não impressiona, ele transforma. É essa a diferença”, resume Saito.
A Viagens Bíblicas é uma das poucas operadoras brasileiras que mantêm o Monte Sinai como parte fixa de seus roteiros ao Egito, combinando os clássicos, pirâmides, Esfinge, cruzeiro pelo Nilo e o novo Grande Museu Egípcio, com a travessia até a montanha sagrada. É um roteiro que exige planejamento, paciência e, sobretudo, disposição para enfrentar dez horas de estrada, checkpoints militares e um deserto que não facilita nada. Mas que devolve, a quem chega ao topo, algo que poucos outros destinos no mundo conseguem oferecer: a sensação concreta de pisar onde a história sagrada, segundo a tradição de três religiões, realmente aconteceu.
No fim das contas, talvez seja isso que explique por que, apesar de toda a dificuldade, o Monte Sinai continua sendo, para tantos viajantes, a verdadeira razão da viagem.
A Viagens Bíblicas organiza excursões bíblicas a Terra Santa ao Egito e Israel, incluindo o roteiro ao Monte Sinai, há décadas, unindo os principais pontos turísticos do país à experiência religiosa que o torna único.
