Filme Good Deads5 min read

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Porque só se vive uma vez.

O filme trás a premisa, do rico empresário,  Wesley Deeds, um homem bem sucedido, que tem uma vida estável, rotineira e afável. Ele sempre fez o que as pessoas esperavam dele e se acomodou a uma rotina previsível.

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O filme já começa com uma cena incomoda, Wesley está se arrumando, ao sair do banho, para ir ao escritório, e sua jovem noiva narra as  próximas ações de Wesley e até suas falas, enquanto se arruma frentre ao espelho; de forma cronometrada, Wesley realiza os movimentos narrados, nós trazendo a sensação que ele faz isso repetidas vezes e de forma mecânica durante o dia, sem nenhuma consciência real.

Mas uma coisa é peculiar na personalidade de Wesley, é que apesar de ser um homem rico, e que vive cercado de privilégios, ele não segue o estereótipo dos filmes americanos, “um ricasso ganancioso buscando seus próprios interesses.” O personagem tem a personalidade doce e mansa, prefere usar palavras brandas e um sorriso amigável do que impor sua autoridade atrás da sua posição profissional ou social. E ele está longe de ser alheio à confrontos, do tipo covarde, muito pelo contrário, quando se torna necessário, ao longo da drama, ele assim se interpela na linha de frente, para garanti que sua voz seja ouvida.

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O caminho de Wesley cruza com Lindsay Wakefield, uma mãe solteira que acaba de ser despejada. Através dessa relação, que começou distorcida por falhas de diálogo, já que Lindsey tinha dificuldades para ouvir devido a seu orgulho, Wesley revela mais o seu lado altruísta e desapegado, que estava escondido por baixo de camadas e camadas de obrigações com a empresa, com à família sombreado por culpa e frustação. Ele acreditava que tinha que viver a vida que os outros sonharam para ele, ele tinha que corresponder a perspectivas de seus pais, amigos, sua noiva, ou senão fracassaria. Nessa relação Wesley reaprende o lado bom da vida, o significado das coisas realmente importantes e também o prazer de dançar, ouvir uma boa música e dar um passeio de moto, a encontrar alegria na simplicidade e reencontrar seu verdadeiro chamado. Já Lindsay descobre o verdadeiro significado da amizade, do altruísmo e de que a independência é superestimada. Ou seja uma relação de crescimento de mão dupla.

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Em outro plano temos Lindsay, que tenta sobreviver sozinha ao lado da filha de seis anos na imensa e movimentada Nova York. As dificuldades que enfrentou,  a endureceu de tal forma que, ela necessitou criar um escudo de proteção em volta de si. Ela não acreditava no amor ao próximo, isso a fazia ser hostil com quem tentasse a ajudar. Pessoas machucadas tende a machucar outras, por isso Lindsay tem em sua personalidade uma evasão grande de tristeza e revolta. É doloroso ver ela tentar por inúmeras vezes se levantar e se erguer contra tudo que vem a frente dela, mas ela só cai, e ela não consegue se ajudar, porque acredita poder fazer tudo sozinha, já que todos que entraram em sua vida de alguma forma foram embora.

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O desfecho é muito intenso e cheio de reflexão tanto por parte dos personagens como no telespectador. Ficamos em dúvida tentando encontrar um vilão, que na verdade não existe nessa obra. São apenas pessoas, cada uma com sua história, com seus medos e sonhos, tentanto vencer o invencível, o dia a dia. Tentando encontrar razão nos pormenores, lutando com os monstros interiores, tentando se auto descobrir, achar sua verdadeira missão, tentando abafar os barulhos do mundo cotidiano para ouvir sua voz interior.

O filme é tranquilo, com pontos de viração muito intensos, que faz nosso coração acelarar e as lágrimas cairem sem pudor. Good Deads conta muitas histórias mas com um único eixo: Quem verdadeiramente somos? A trilha sonora é muito sútil e a fotográfia com tons equilibrados não nos desvia atenção do roteiro disposto na tela.

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Nós faz refletir sobre como nos comportamentos em relação aos outros, ao nosso meio ambiente e também a nós mesmos. É um excelente filme.

Super recomendo! 🙂

Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida. –Sêneca

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