Santa Casa BH investe na qualificação de equipes para ampliar segurança dos pacientes e melhorar uso do sangue no SUS
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Simpósio de PBM discute como evitar transfusões desnecessárias pode reduzir riscos, otimizar recursos e ampliar o acesso à saúde
A Santa Casa BH, maior hospital 100% SUS do Brasil em número de internações, realiza no próximo sábado (23/05) um simpósio para discutir o uso mais seguro e eficiente do sangue, com impacto direto na vida dos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa integra o Patient Blood Management (PBM), tema central do simpósio — estratégia reconhecida internacionalmente e recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que propõe reduzir transfusões desnecessárias, aumentar a segurança do paciente e otimizar o uso de um recurso essencial e limitado, que depende exclusivamente da doação. O protocolo vem sendo estruturado em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, com o objetivo de ampliar sua adoção no sistema público.
A Santa Casa BH já aplica princípios do PBM em sua rotina assistencial, com iniciativas voltadas ao uso racional do sangue, especialmente na avaliação pré-operatória, na definição de indicações transfusionais e na capacitação das equipes. O próximo passo é avançar para uma implementação mais estruturada e integrada entre as diferentes especialidades.
“Estamos em um processo de evolução dessa prática. O objetivo agora é consolidar o PBM de forma integrada entre as áreas, ampliando ainda mais a segurança do paciente”, destaca a anestesiologista da Santa Casa BH, Dra. Márcia Neder.
Embora voltado a médicos, enfermeiros e profissionais de saúde da instituição, o conteúdo discutido no encontro reflete diretamente no atendimento à população. Isso porque o PBM pode impactar potencialmente todos os pacientes com risco de anemia, sangramento ou necessidade de transfusão, incluindo casos cirúrgicos, obstétricos, oncológicos, críticos e transplantados.
Mais segurança
O PBM permite decisões mais criteriosas e pode diminuir riscos importantes, como reações transfusionais, infecções e aumento do tempo de internação. “É uma estratégia centrada no paciente, com impacto direto nos desfechos clínicos”, explica a hematologista da Santa Casa BH, Dra. Maria Luiza Cortez.
“Nem toda transfusão é necessária. O que buscamos é uma decisão mais segura, individualizada e baseada no paciente como um todo, o que reduz complicações e melhora os resultados do tratamento”, complementa a médica.
Uso mais eficiente em um cenário de escassez
O uso racional do sangue é especialmente importante em períodos de baixa doação, como feriados, epidemias e férias. Ao evitar indicações sem benefício clínico, o PBM contribui para direcionar os hemocomponentes de forma mais eficiente, garantindo disponibilidade para os pacientes que realmente necessitam.
“Em momentos de queda nas doações, o uso criterioso do sangue é essencial para assegurar que os hemocomponentes sejam destinados a quem mais precisa”, destaca a coordenadora
da Agência Transfusional, Lilia Oliveira.
Mais eficiência para o SUS
A adoção do PBM também traz impactos estruturais para o SUS. Em larga escala, a estratégia pode reduzir a necessidade de transfusões, aumentar a segurança transfusional e qualificar o uso dos recursos públicos, além de diminuir custos assistenciais e tornar o atendimento mais eficiente.
